Minha transição: Sell Side para Buy Side

Esse é um artigo pessoal…

Trabalhei 20 anos no sell side, na área de research de instituições domésticas e internacionais.

Fui analista, estrategista e Head of Research.

Para aqueles que não conhecem, isso envolve muita atividade técnica de research mesmo (e research é algo diferente de analise, mas isso será tema de um outro artigo).

Mas envolve talvez ainda mais atividades de marketing, marketing do seu produto e marketing da sua instituição, e principalmente muita atividade de gestão de pessoas.

No início de 2020, eu me juntei à Esh Capital, gestora que na época possuía um fundo Multimercado focado em event-driven special situations com uma postura bastante ativista.

Quando da forte correção do mercado de ações em março, decidimos criar uma estratégia long only dentro do Esh Theta.

Sei que rentabilidade passada não é garantia de retornos futuros, mas o fundo foi muito bem nestes últimos 14 meses.

Não vou entrar em detalhes porque o objetivo do artigo não é fazer auto-elogios.

Mas o fundo foi muito bem e a equipe é bem forte.

Sugiro fortemente que, quem estiver lendo esse artigo, busque conhecer melhor o fundo, as pessoas por trás do fundo e as coisas que o gestor do fundo e fundador da Esh, o @Vladimir Timerman, tem feito para aprimorar o mercado de capitais no Brasil.

A Esh Capital não é (pelo menos até agora) uma casa ESG. Mas nós tentamos atuar e nos consideramos uma casa G.

Tendo falado tudo isso, gostaria de chamar a atenção a 2 pontos que tenho vivenciado na minha atuação no buy side, e que me parecem distorções que precisam ser ajustadas no mercado de capitais no Brasil.

PRIMEIRO PONTO

O mercado de distribuição de produtos financeiros precisa fazer research sobre novos produtos. Research mesmo, não analise….Não dá para se colocar fundos com estratégias totalmente diferentes no mesmo saco. Não dá para se descartar um fundo só pelo seu tamanho, talvez por não entender a estratégia sendo implementado ou pelo corte de cabelo do gestor (esse últimos ponto é brincadeira, viu pessoal);

SEGUNDO PONTO

Segundo ponto é uma reflexão: porque a grande maioria das empresas Brasileiras não escutam o mercado. Talvez escutem alguns gestores/analistas popstar mas deveriam estar abertos a escutar a todos, mesmo players que eles eventualmente não conheçam.

Sempre achei que uma das razões para uma empresa abrir seu capital era poder ter acesso real time ao feedback do mercado.

Mas minha percepção é que grande parte das empresas escolhe quem eles vão escutar. Com base em que? Não sei.

Empresas deveriam escutar todos aqueles agentes do mercado que possam estar tentando contribuir para seu processo de criação sustentável de valor. 

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