Dicas de leitura para executivos e donos de empresa

Pouca gente no Brasil discute as ideias de Bartley J Madden. Uma injustiça.

Todo mundo cita Aswath Damodaran e Tim Koller quando o assunto é finanças corporativas. Excelentes referências.

Mas Madden fez algo que poucos conseguem: aliou conceito e prática durante décadas — e continua inovando.

Em 1969, ele se juntou a Charles G. Callard e juntos desenvolveram o Cash Flow Return on Investment (CFROI), um método de valuation e avaliação de desempenho usado até hoje por gestoras e empresas nos EUA. De lá pra cá, construiu uma carreira sólida e publicou uma série de livros sobre criação de valor.

O que me chamou a atenção recentemente foi o livro Value Creation Insights, publicado em janeiro de 2026.

Madden aborda temas que também venho estudando e defendendo:

– O impacto para o acionista da criação de valor para os demais stakeholders
– A importância dos investimentos em intangíveis
– Geração de conhecimento como diferencial competitivo
– A necessidade de adaptar as regras da contabilidade para absorver o universo da tecnologia e dos intangíveis

Mas o ponto que mais me interessa está num artigo de 2025, publicado no Journal of Applied Corporate Finance:

“For better corporate governance, the shareholder value review.”

A tese é simples e poderosa: Administração e Conselho precisam entender como o desempenho da empresa impacta seu valor para o acionista.

Para isso, Madden propõe a criação da Shareholder Value Review (SVR) — um fórum periódico de diálogo entre o top management e o Conselho, dedicado exclusivamente a discutir valor intrínseco.

Isso vai ao encontro de duas convicções que defendo há tempos:

1. Toda empresa precisa saber seu valor intrínseco — independentemente de estar planejando buscar investidores ou mudar sua estrutura de controle. Precisa existir alguém que eu chamo de “Guardião do Valor Intrínseco”.

2. O fluxo de caixa descontado, feito com rigor e conservadorismo, é uma das ferramentas de gestão estratégica mais subutilizadas no Brasil.

A pergunta que fica: quantas empresas que você conhece têm esse fórum estruturado? Quantas sequer sabem seu valor intrínseco?

Se a resposta for “poucas”, o problema não é de mercado. É de governança.

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